5 reclamações da TI em relação aos produtos Apple

Por que as analíticas devem ser parte do seu vocabulário
7 de fevereiro de 2013
Samsung bate Apple em consumidores fiéis
8 de fevereiro de 2013

Dar mais valor ao design e suporte inadequado ao corporativo estão entre as críticas feitas por gestões de TI.

A Apple é frequentemente criticada por considerar design mais importante que funcionalidade. “Os conectores iMac na parte de trás da máquina são projetados/decididos por verdadeiros cretinos”, criticou um tomador de decisão de TI em nossa pesquisa. “É uma falha ergonômica que revela a preferência por aparência em vez de funcionalidade”. Outra crítica: enquanto a Apple é vista como líder em inovação, na realidade, ela tende a refinar ideias existentes. A Apple não inventou o tocador de MP3, o smartphone ou o computador tablet. Mas criou os “dispositivos revolucionários”, que levou esses produtos de nichos para o mercado de massa.

O sucesso é seu melhor argumento. E não descartamos a possibilidade de que uma maior aceitação da Apple no mundo corporativo possa levar a empresa a começar a ouvir, de fato, os CIOs e tomar decisões que beneficiam a TI corporativa. A Apple não inventou a porta USB, mas adotou como interface universal, sem incluir qualquer interface legada no iMac original, numa época em que relativamente poucos PCs usavam USB – o que ajudou a iniciar a adoção expandida.

O histórico do sucesso de “ponto de inflexão” da Apple significa que, ao menos, a gestão de TI deve prestar atenção. Seja em termos de entrega de música digital, tentativa de uma loja online para criar presença de varejo, desenvolvimento de um chassi de laptop “unicorporal”, direcionamento de WiFi ubíquo ou, é claro, inovação de smartphones e tablets, a Apple foi muito sortuda ou conseguiu, repetidas vezes, antecipar e avançar em tendências tecnológicas transformacionais.

Outra reclamação da TI em relação à Apple é o suporte inadequado ao corporativo. Mesmo o nível mais alto de suporte, o AppleCare OS Support Alliance, é um programa de dias úteis e horário de expediente para qualquer problema além de Prioridade 1 (queda de sistema ou serviço). A Apple também tem programas e registros em vigor para treinamento e certificação, assim como os programas AppleCare Professional Support e Apple Service que oferecem suporte a negócios, embora, mais uma vez, não ofereçam disponibilidade 24/7 , e não parecem ser prioridade para empresa.

Assim, não surpreende que apenas 32% dos tomadores de decisão e 29% dos usuários finais entrevistados pela nossa pesquisa tenham dito que a Apple está se esforçando para melhorar o suporte corporativo, e 39% dos gestores de TI e 27% dos usuários finais tenham dito que não há esforço algum em andamento.

Outro ponto de estresse são os reparos e upgrades do Mac. A Apple faria mais negócio com organizações de TI se as informações de reparo fossem mais acessíveis, avaliou Christopher Grande, presidente da OnSight Services, uma consultoria de TI. “Eles deveriam mudar para parafusos e fechamentos padrão para possibilitar o reparo de itens fora da garantia pelos próprios usuários”, disse Grande. “Acrescentaria muito valor e mostraria que eles se importam com o tempo que seus produtos ficam no mercado. Quando eu vejo um Volvo de 20 anos ou um Dell de 10 anos, eu acho tremendo ponto de venda.”

Parafusos à parte, nem todos os Macs têm designs inacessíveis. O mais recente Mac Pro, por exemplo, tem um design fantástico que torna o upgrade de componentes uma moleza. O Mac Mini permite que o usuário chegue a 16 GB (dois slots de 8 GB) de RAM e adicione um segundo disco rígido ou SSD.

Mas, na maioria das vezes, a Apple parece estender a abordagem unidade blindada que adotou com seus telefones e tablets para seus novos Macs, colocando um design premium em detrimento das atualizações. O novo desktop iMac ultrafino é o caso em questão. Na mais recente atualização da linha (final de 2012), mesmo a RAM da menor das unidades (a versão de 21.5 polegadas) é quase inacessível. O modelo maior (de 27 polegadas) ainda tem RAM com fácil acesso.

Os mais recentes laptops Apple – o MacBook Air e o novo MacBook Pro – têm o design blindado. A Apple agora solda a RAM à placa-mãe e tornou componentes-chave, como o disco rígido ou SSD, bateria e tela muito menos acessível.

O site de reparos iFixit deu a menor avaliação possível para novo MacBook Pro Retina de 15 polegada, 1 de 10 pontos, para atualização e acesso baseado em fatores como parafusos sem padrão, RAM soldada, propriedade, memória SSD flash, módulos de baterias colados e tela fundida. Pelo menos um fornecedor terceirizado lançou módulos SSD compatíveis com MacBook Pro para o MacBook Pro Retina, portanto, existe a possibilidade de aumentar o armazenamento interno. Mas, em geral, os upgrades pós-compra são limitados.

Se seus desktops ou laptops estão em um ciclo de vida de dois ou três anos, a abordagem da Apple pode não ser um problema, mas se você substitui seus hardwares com menos frequência, considere o dispositivo com mais poder na hora da compra ou escolha outra opção.

E isso nos leva ao que deve enfurecer os profissionais de TI mais do que tudo: enquanto a Apple, claramente, é uma inovadora influente, é, relativamente, inflexível, o que faz com o que o relacionamento com a empresa e seus produtos seja, francamente, arriscado.

A Apple teve sucesso na criação de produtos e serviços contestadores – parafraseando a famosa campanha publicitária, pensando (e agindo) de forma diferente. O que isso significa, de fato, é que a empresa gosta de mudar as regras e perturbar o conselho diretor em vez de agir de acordo com o que é estabelecido pelos mercados e sistemas. Um exemplo foi a forma como a Apple persuadiu a AT&T e outras operadoras a mudarem seus modelos de negócios para acomodar o iPhone. O próprio modeloda App Store para os aplicativos iOS é um exemplo.

O sucesso da Apple vem quando consegue ser pioneira ou, pelo menos, a pioneira mais bem sucedida e entregar produtos premium tidos como diferentes e melhores. Não teve muito sucesso no longo prazo como mercadoria e durante períodos em que não foi capaz de deixar claras suas características distintivas.

Em resumo, a Apple convida mudanças drásticas e não lentas e incrementais, algo mais em sintonia com o ambiente corporativo.

Os CIOs prezam consistência e confiabilidade. Alta disponibilidade e estabilidade são muito mais importantes nos ambientes de tecnologia corporativa do que novas funções ou mesmo usabilidade.

A TI corporativa deve gerenciar o caos e eliminar surpresas – confiabilidade acima da satisfação do usuário final. Não estou dizendo que os produtos da Apple não são confiáveis; eles são. A diferença é mais fundamental. Enquanto a Apple é intensamente focada na experiência individual do usuário, a TI corporativa, por natureza, é focada no coletivo.

O que vem depois?

Com base nos resultados de nossa pesquisa, a TI não tem muita escolha além de seguir o jogo e adotar os produtos Apple. Enquanto apenas 11% dos gestores de TI entrevistados disseram que suas empresas gastam mais de 20% do orçamento de tecnologia em produtos Apple, e apenas 23% gasta mais de 10%, esses números podem crescer. Quando pedimos para que eles projetassem os próximos 18 meses, 16% preveem que as empresas gastarão mais de 20% do orçamento de TI em dispositivos Apple, e 31% estimam um gasto superior a 10%. A possibilidade de que quase um terço das empresas considera gastar mais de 10% do orçamento de TI em produtos Apple seria vista como absurda há alguns anos.

Os CIOs devem ser deliberados e realistas sobre quando e como eles oferecem suporte aos Macs e dispositivos iOS. A Apple, por sua vez, pode se aproveitar do momento do mercado consumidor para criar laços fortes com os profissionais de TI, investindo em funcionalidades e serviços de classe corporativa. Do contrário, pode surtir o efeito reverso, em que as dificuldades gerenciais e falhas operacionais com seus produtos nos escritórios podem manchar a marca. A Apple se importa? Veremos.

Fonte: http://crn.itweb.com.br/40837/5-reclamacoes-da-ti-em-relacao-aos-produtos-apple/